terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Capitulo 7

Capitulo 7

Selva

O vento entrou no quarto em que Dawis Hinks dormia, a despeito de ele ter fechado a única janela e a porta. Era um vento de lugares longínquos, carregado de emoções, de umidade, calor... e de violência.

Acordando imediatamente, o garoto se pôs a procurar a origem desse vento. Olhou pela janela e viu que era noite. Andou com pés descalços e passou a mão sobre as frestas da janela. Não, o vento não vinha dali.

Mas o vento não podia vir da porta, uma vez que esta dava para o corredor, que não tinha janelas.

O menino olhou com atenção para a porta. Viu que havia uma folha pequena embaixo da porta. Sua ponta estava para dentro. O vento assobiou novamente e ela entrou.

Sim, o vento vinha da porta.

Dawis andou com cautela até a folha e a apanhou com as pontas dos dedos, como se ela fosse uma criatura extremamente perigosa.

Ela era uma folha absolutamente comum.

Estava um tanto úmida e, a julgar pela cor amarronzada, havia caído a muito de sua árvore.

Com um suspiro, o menino se resignou.

Devia ser um dos Sonhos. Com um mau pressentimento, Dawis abriu a porta.

Ele se viu em uma grande, escura e úmida floresta tropical. Árvores imensas gotejavam, cipós teciam um emaranhado de redes que se estendia por todos os lados. O ar era carregado, abafado e muito úmido.

Olhando para cima, ele viu que devia estar chovendo, mas a copa das arvores estava tão longe e tão fechada que ele não podia ver o céu, nem a chuva podia chegar diretamente ao chão. Falando em chão, este também não era visível, pois uma camada macia de folhas mortas cobria tudo.

Parecia um lugar bastante ruim para um menino de sete anos ficar.

“Bom, ficar parado é que não vai resolver nada.” – pensou ele.

Começou a andar, se esquivando dos galhos e dos cipós, pulando espinheiros e moitas. A mata era muito fechada, e Dawis desejou ter um facão ou algo parecido. O vento quente bateu-lhe no rosto novamente, deixando uma pergunta no ar: como podia haver vento se nem a chuva conseguia vencer a cúpula de folhas?

Após alguns minutos intermináveis, ele encontrou um vulto deitado na relva.

Quando se aproximou, viu que na verdade se tratava de um esqueleto humano encoberto por uma espécie de musgo. Bem nojento.

Novamente sentiu uma lufada de vento.

Ele já estava para dar as costas para o esqueleto quando notou que ele segurava uma espada. Não gostava da idéia de ter que tira-la da mão de um defunto, mas a perspectiva de andar desarmado num lugar como aquele parecia mil vezes pior...

Com uma careta de nojo, arrancou a espada do esqueleto e do musgo. Estava suja e fedia, mas era melhor do que nada.

Com ela, Dawis recomeçou sua caminhada, agora muito mais ágil graças à lâmina, que era bem afiada. Ele se perguntou quanto tempo ela estaria ali jogada. Desconfiava que não muito, pois do contrario já deveria ter perdido o fio há muito tempo. O que levantava outra questão: como aquela pessoa morreu ali?

E lá estava o vento quente outra vez. Já estava irritando o garoto.

Um cipó se ergueu das folhas mortas fazendo o tropeçar de boca no chão. Outro cipó estalou como chicote em suas costas. A dor veio forte e muito quente.

Ele se levantou o mais rápido que pode, escapando por um triz de outro que mirava sua cabeça. Quando olhou em volta, viu diversos cipós serpentando como cobras prontas a dar o bote. Ele brandiu a espada desajeitadamente e se pôs a correr. Pulou um galho que mirava suas pernas e um cipó cheio de espinhos o atingiu de raspão no braço esquerdo, sem conseguir derruba-lo. Outro teria o enforcado, mas com um pouco de sorte ele o cortou fora e fugiu desesperado.

Um arrepio de puro terror atravessou a espinha de Dawis enquanto corria. Isso era um dos Sonhos. Dos ruins.

Mais uma daquelas lufadas de ar quente. Esta mais quente, mais úmida e...mais próxima.

Quando o menino notou, já era tarde. A sua frente, uma bocarra enorme, composta de folhas petrificadas e espinhos do tamanho do antebraço dele, esperava ansiosa.

Dawis não teve a menor chance. A planta carnívora soltou uma gosma verde que o lançou no chão indefeso. A coisa endureceu rapidamente prendendo-o no chão.

Ele se debateu desesperado tentando se livrar enquanto a planta o levantava com seus cipós.

“Então é daí que vem o vento...” pensou gemendo o garoto enquanto olhava a boca da planta carnívora. Aquela boca era grande o bastante para engolir facilmente uma vaca. E não teria problemas com um garoto que mal pesava 20 quilos... Não pode ver muito mais na escuridão. Mas achou que o vulto devia ter uns cinco metros de altura.

Quando a planta o engoliu, não achou mais nada.

Havia apenas a dor.

Acordou ensopado em sua cama. Olhou para o próprio corpo e gemeu ao ver que ainda tinha alguns restos de gosma verde presos a seu corpo... E muitos arranhões.

Um comentário:

Suellen disse...

oh my God!!!!!!!!!!!!!
que impactante :)
cara, esse foi o melhor capítulo..
esse e o da dna. morte! a frieza dela eh muito "*-*"
hehe