sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Capítulo 10

Capitulo 10

Cérbero

O menino sentiu suas entranhas afundarem quando o portão que levava até o viveiro do Cérbero foi aberto.

Após o portão havia um caminho estreito com placas alertando para o perigo que ali residia. Um ruído baixo podia ser ouvido. Constante e profundo. Era a respiração do que quer que fosse um Cérbero. Mas não parecia ser uma única. Na verdade parecia haver... três.

- Preste atenção. – sussurrou Gabriel – A Cérbero é uma criatura muito agressiva e violenta, uma das mais perigosas que temos aqui.

- Você disse... “A”? – perguntou intrigado.

- Sim, foi o que eu disse. – Amaranth estava impaciente – Na noite passada ela entrou no trabalho de parto. Deve estar debilitada, mas não podemos nos dar ao luxo de contar com isso. Eu vou cuidar para que ela saia de perto do filhote e você vai enfiar essa estaca nos elos da corrente. Isso vai encurtar a corrente. Você entendeu?

- A-acho que sim. O senhor quer que eu prenda a corrente o mais longe possível do filhote?

- Isso. – aprovou Gabriel – Isso significa pregar a estaca o mais perto possível DELA. Acha que consegue?

- Consigo.

- Bom garoto. Tome, vai precisar disso. – entregou um martelo pesado – Não tente dar várias marteladas fracas, de uma só! Se tiver tempo, pode tentar pregar mais, mas se o bicho virar para você, corra o mais que puder!

O corredor acabou em uma área aberta. O lugar procurava imitar a região onde um Cérbero selvagem viveria com absoluto sucesso. Era um circulo de pedregulhos escuros, sem qualquer vegetação. A parte central era plana, mas em volta o terreno era apinhado de rochas e pedregulhos, que delimitavam a circunferência.

E no centro estava “a” Cérbero, deitada numa meia lua, protegendo seu filhote.

Era um cão enorme, maior que o dragonlord do tio Jorge. Devia ser alto, talvez mais que um cavalo. Tinha músculos poderosos por baixo do pêlo cor de piche, que era denso e lustroso. E tinha três cabeças. Três enormes mandíbulas entreabertas rosnavam, mostrando caninos malignos, afiados e mortais. Dois pares de olhos vermelhos estavam fitando Gabriel e outro vigiava atentamente Dawis Hinks. Aqueles olhos prometiam morte, e Dawis fez força para não gritar.

Grossas correntes estavam em volta dos três pescoços. Estas estavam presas à outra mais grossa que estava acorrentada a uma rocha. O menino calculou que o monstro teria pelo menos uns sete metros de corrente para andar, o que queria dizer que eles iam precisar afastar a criatura pelo menos uns cinco ou seis metros e só então pregar a corrente no chão.

- Não da pra fazer isso de outra forma? – perguntou ele – Sei lá, usar magia para fazer ela dormir ou algo assim?

- Não, cérberos não são afetados por magias de sono, nem de paralisação.

- Talvez usar uma daquelas luvas acolchoadas que as pessoas usam para domar cães?

- Se você usa-se uma armadura completa é bem provável que durasse não mais do que um minuto. – riu Gabriel. Ele obviamente estava se divertindo – Há outras maneiras sim, mas íamos precisar de muitos equipamentos e outras pessoas ajudando. Mas não precisamos dessas frescuras. Eu, você e a senhorita três-cabeças-pensam-melhor-que-uma. Vai ser um ótimo treino para você. – deu um tapinha amigável nas costas do menino, que quase o derrubou – Vamos lá!

O gigante ruivo se adiantou para o monstro. Ia de mãos limpas, sem medo e com um sorriso maligno na boca. Andou para esquerda, procurando ficar a uma distancia segura. A cérbero o considerou uma ameaça maior do que o garoto, e as três cabeças se viraram para encará-lo.

Agora Gabriel estava em um ângulo de 90 graus em relação ao menino. O homenzarrão deu um passo decidido em direção à criatura. A resposta foi imediata. A cérbero se levantou de um salto, a cabeça do meio soltando um uivo aterrorizante e as outras duas rosnando furiosamente.

Quando Amaranth deu mais um passo a frente, o monstro atacou. Foi um único salto em direção ao gigante ruivo, mas foi o bastante para percorrer os sete metros entre os dois. Por um momento Dawis teve a visão do seu novo tutor sendo dilacerado pelas três cabeças, mas ao invés disso ele rolou de lado. Uma das cabeças errou a mordida por centímetros, e o estalo dos dentes batendo uns nos outros ecoou pelo lugar.

O cão pulou novamente, procurando pegar o homem ainda no chão, mas Gabriel já estava de pé. O menino mal acreditou no que via. Gabriel AVANÇOU contra a criatura, e deu uma “ombrada” no peito, logo abaixo das cabeças.

A cérbero também não esperava por algo assim, e se desequilibrou, caindo de lado.

- Anda moleque! – rosnou ele – Vai ficar parado como um inútil?

O menino acordou do seu mudo espantou e começou a correr na direção da corrente. As orelhas do monstro viraram em sua direção, o que fez o sangue dele gelar nas veias. Mas precisava confiar em Amaranth, por isso focou a corrente em sua frente.

Era uma corrente de elos grossos. Enfiou uma das estacas no meio de um dos elos. O martelo desceu com toda a sua força e a estaca se enterrou com um som alto no pedregulho, soltando uma pequena explosão de faíscas vermelhas.

“Não são estacas de madeira comum, são mágicas!” pensou frenético o menino. Claro, ponderou ele mais tarde, de que outra maneira ele iria encravar uma estaca de madeira na rocha sólida?

Sentiu a corrente tencionar a sua frente e olhou para a sua esquerda. O que viu foi um cérbero furioso dando uma patada poderosa em um homem ruivo e o atirando longe. O cão de três cabeças virou para ele e avançou com toda a sua fúria.

Dawis Hinks jamais poderia dizer exatamente o que ele fez e como ele fez. Ao invés de fugir, como seria o esperado, ele gritou em fúria e terror, e atracou brandindo o martelo na sua mão direita.

Uma mordida quase pegou seu ombro, mas ele se esquivou a tempo e ali aplicou um golpe forte com o martelo. A outra cabeça lhe deu um encontrão, jogando o no chão para que a terceira pudesse abocanhá-lo facilmente. Coisa que nunca aconteceu, pois ele chutou a bocarra e martelou desesperado uma das garras do monstro.

Em condições normais, isso seria o bastante para a cérbero retroceder, dando tempo o bastante para o menino correr, mas ela estava defendendo seu filhote e não podia se dar ao luxo de recuar.

A outra garra desceu, rasgando ar, pedra e carne.

Dawis gritou.

Gabriel estava em sua frente, o peito lacerado pelas garras do monstro. Desferiu um poderoso soco no peito do animal, que o fez cambalear para trás. Agarrou o menino com o braço esquerdo e correu para o filhote. Com o outro braço o agarrou. Ele se debateu e tentou morder, mas era muito novo e não tinha força. Amaranth saiu do alcance da corrente o mais rápido que pode.

Largou o menino e o filhote no chão, no mesmo tempo que a estaca mágica se partia e a mãe cérbero avançava com toda sua força, sem no entanto conseguir alcançá-los. Ela uivava e ladrava desesperada.

Assim a primeira missão de Dawis Hinks quase terminou em tragédia.

4 comentários:

Suellen disse...

A cérbero uhAUHuhahHAUhuahu
eh gayyyyyyy XD
zuera -.- :D

Frodorius disse...

taquipariu essa foi foda sull D:

Anônimo disse...

oparabéns pelo bnlog!!

@alxsantos disse...

Oxi...
Lembrei da Área da Cérbero como aqueles ginásios pokomens.
aehuaehea

Continue com isso meu amigo.
No final vou pegar todos esses capítulos e ler de novo.
Isso se vc não publicar, é claro...