segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Capítulo 15

Capítulo 15

Ultimas semanas de férias

O menino estava quieto enquanto lembrava dessas coisas, durante o jantar com Gabriel. O gigante ainda estava um tanto bravo pelo o que o menino fez com a macieira. Não sabia Dawis que Gabriel também estava orgulhoso do seu protegido, pois fazer magia daquela forma era raríssimo entre os humanos!

Tarcísio é que não estava muito contente com o garoto. Agora Dawis aprendia com uma facilidade muito maior, e os efeitos das magias eram muito bons, muitas vezes com resultados melhores do que os do próprio professor!

A verdade é que o fato de não precisar usar runas tornava as magias muito mais rápidas de serem realizadas, e davam ao jovem Dawis Hinks um controle muito mais apurado sobre elas.

Gabriel terminou uma cochinha de galinha e olhou para Dawis. O menino estava ficando mais saudável, ganhando peso e força desde que chegara ali. Bastos também tinha crescido consideravelmente, tendo quase o dobro do tamanho do dia em que foi tirado de sua mãe. Agora o cérbero já alcançava a cintura do menino.

- Moleque. – chamou a atenção o gigante. Dawis levantou os olhos de seu prato – Parece que você andou dando trabalho para o professor Sommerfeld, pois ele me avisou que não dará mais aula para você.

Dava para ver no rosto de Dawis que ele estava aliviado. Amaranth deu uma gargalhada.

- Ah, moleque, mas você não escapou dele ainda! – disse rindo Gabriel – Você terá aula com ele, assim como todas as crianças, quando o ano letivo começar. E é bom ter cuidado, ele tem fama de ser carrasco!

Dawis engoliu em seco.

- Mas pelo o que ele me disse, você já está indo bem nas magias... Aquilo que você fez na macieira foi impressionante. Estúpido, mas impressionante.

Corado, o pequeno falou: - Desculpe pela macieira, eu...

- Esqueça! – cortou Gabriel – Há macieiras por toda Wingfield. Uma a menos não vai fazer mal. Agora preste atenção. As aulas começam dentro de um mês e uns dias. Você vai poder freqüentar as aulas. Algumas são de manhã outras à tarde. Mas isso não faz com que você esteja livre dos seus trabalhos! – olhou severo par o menino – Mas farei o que você não der conta. – bufou.

- Obrigado senhor.

- E não me chame mais de senhor! Não sou seu sargento! – a cabeleira ruiva chacoalhou com a gargalhada dele – Agora vá dormir! E leve esse pulguento junto.

- Sim! – Dawis correu para dar um abraço em Gabriel, coisa que pegou o gigante de surpresa.

- Ahm, bom. Vá logo. – Foi a vez de Gabriel ficar corado, enquanto Dawis corria feliz para seu quarto, acompanhado do fiel Bastos.

A rotina de Dawis continuava como sempre. Ele e Bastos estavam adorando cada dia mais Wingfield. Havia muito que fazer, muitos lugares para brincar e cada vez mais pessoas para conhecer!

Enquanto mês avançava, vários professores voltavam das férias, assim como funcionários e alguns estagiários. Aos poucos Wingfield foi ficando mais humana, menos fria, com gargalhadas e conversas enchendo suas salas.

Sentado ao pé de uma árvore, a menos de uma semana para as aulas, o jovem Hinks acariciava o pescoço de Bastos e assistia o entardecer. Seus dedos afundavam no pelo preto grosso e lustroso, e ele podia sentir as cavidades logo ao lado da espinha do cérbero. Não podiam ser vistas, mas qualquer um que passasse a mão ali sentiria que havia um “vazio”, de onde mais tarde surgiriam as outras duas cabeças.

Dawis pensava quando isso ia acontecer. Também pensava quando os Sonhos com a planta gigante acabariam. Sentia cada vez mais uma sensação de urgência. Era preciso acabar logo com isso.

Os Sonhos com Fafnir estavam se tornando um pouco mais raros. Ele entendia que logo não deixaria de ver o dragão à noite.

Com um suspiro, ele se levantou.

- Vamos, amigão, temos um encontro marcado com a diretora. – disse ele para Bastos, que respondeu com um latido alegre.

A sala da diretora ficava na torre central, a maior de todas, que sustentava a abóbada de vidro de Wingfield. Nunca tinha ido até lá, mas o menino imaginava que seria um lugar muito maluco, como a torre dos magos.

Enganou-se completamente.

A torre lembrava um pouco um hospital, com aquelas paredes cor creme características e um cheiro de limpeza no ar. Todos os cantos eram arredondados, todas as partes bem iluminadas. Uma adolescente ficava em um balcão na recepção, e seu nome era Janete ou Marllete, Dawis não lembrava bem.

- Ah, senhor Hinks! – Disse ela bem humorada. Era a única que o chamava assim, num misto de gracejo e gratidão por ele ter salvo um gato numa árvore para ela. Não que o gato precisa-se ser salvo, ele tinha subido e poderia descer facilmente. Mas Janete (ou Marllete) achou que ele precisava e já fazia um escândalo quando Dawis foi ajudar.

- A diretora Helen o espera em sua sala. Pegue o elevador e vá até o ultimo andar. Quando chegar lá, vai se ver em uma biblioteca. Então ande até um globo que fica no meio do salão e aperte o botão logo abaixo, está bem?

- Está bem. Bastos pode ir junto? – perguntou Dawis, fazendo sua melhor cara de criança meiga. Funcionou.

- Oh, pode levar seu amiguinho junto! – ela fez um carinho na cabeça de Bastos – Apenas não deixe ele tocar em nada!

- Brigado! – disse Dawis, e correu para o elevador junto com o cérbero.

Dentro do elevador, ele apertou no vigésimo segundo andar, e após alguns segundos a porta se abriu em uma sala com as paredes forradas de livros.

Os dois caminharam por um tempo olhando os nomes dos volumes, mas logo se entediaram e procuraram o tal globo.

Estava no meio de um salão, como Janete (ou Marllete) tinha dito, logo atrás de uma estante.

O globo era todo feito em marfim, com detalhes em ouro. Girava numa haste de ouro, fixada em um grande quadrado de madeira-de-lei. Era todo decorado com runas, e ali se sentia magia muito poderosa. O conjunto todo devia ter quase três metros, um para a base de madeira e o resto para o globo.

Dawis tateou em busca do botão e apertou quando o encontrou.

Um Estalo metálico veio do teto e um círculo dele se moveu, deixando uma passagem para uma escada-em-caracol que desceu até o chão. Uma voz feminina e agradável disse lá de cima.

- Entre meu caro Dawis Hinks.

E lá foi ele, encontrar a pessoa mais importante de Wingfield.

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